quarta-feira, 14 de março de 2007

Antes que os teus filhos cresçam!...




Há um período na vida, em que nós, pais, ficamos órfãos dos filhos; eles crescem, independentemente dos pais, como árvores murmurantes e pássaros imprudentes.

Crescem sem pedir licença à vida, com uma estridência alegre e por vezes, até com ostensiva arrogância.

Mas não crescem todos os dias; crescem de repente. Certo dia, sentam-se ao pé de nós e com incrível naturalidade dizem-nos qualquer coisa que nos indica logo que essas criaturas, que até ontem usavam fraldas e davam pequenas passadas, trémulas e inseguras... já cresceram.

Quando cresceram que ninguém percebeu?

Onde ficaram as festas infantis, os jogos na areia, as festas de aniversários com palhaços?

Cresceram num ritual de obediência orgânica e desobediência civil.

Agora aqui estamos nós, à porta da discoteca, esperando ansiosos, não só que cresçam, mas que apareçam... Estão aqui também muitos pais ao volante, esperando que os filhos saiam correndo sobre patins, com os cabelos compridos e soltos. E aí estão os nossos filhos, nas esquinas, entre hamburgers e “Seven Up’s”, com o vestuário típico da gente nova, de mochilas às costas.

E para aqui estão os pais, com os cabelos brancos... E são os nossos filhos! Aqueles a quem amamos apesar dos golpes de vento, apesar da escassez das colheitas de paz, das más notícias e das ditaduras das horas. Eles cresceram, observando e aprendendo, com os nossos erros e nossas vitórias; principalmente, com os erros que esperamos que não se repitam.

Há um período em que, como pais, vamos ficando órfãos de filhos...; já não os procuramos às portas das discotecas e dos cinemas. Passou o tempo do piano, do futebol, do balé, da natação... Saíram do assento detrás e passaram ao volante das suas próprias vidas.

Alguns de nós deveríamos ter ido mais vezes, à noite, junto das suas camas para os ouvir, respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância; e, também deveríamos ter ido mais vezes quando eram adolescentes, perto daqueles móveis cobertos de decalcomanias, dos posters, das agendas coloridas e dos discos ensurdecedores.

Mas cresceram sem que tivéssemos esgotado com eles o nosso afecto. No início acompanhavam-nos ao campo, à praia, às piscinas e reuniões de conhecidos; Natal e Páscoas compartilhadas. E havia no automóvel disputas pela janela, pedidos de chicletes e de músicas da moda. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais se transformou num esforço e sofrimento: não podiam deixar os seus amigos nem os seus primeiros amores. E ficámos pais exilados dos filhos. Tínhamos, é certo, a solidão que sempre tínhamos desejado... e chegou-nos o momento em que só olhamos de longe, alguns em silêncio, e esperamos que saibam escolher bem na procura da felicidade e que conquistem o mundo da maneira menos complexa possível. O segredo é esperar...

Em qualquer momento dar-nos-ão netos. O neto é a hora do carinho ocioso e da picardia que não tivémos para com os próprios filhos; por isso os avós são tão desmesurados e distribuem carinho de modo tão exagerado. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afecto. Por isso é necessário fazer algumas coisas mais, antes que os nossos filhos cresçam.

Na verdade, só aprendemos a ser filhos depois de ser pais e só aprendemos a ser pais, depois de ser avós...

Enfim, até parece que só aprendemos a viver, depois da vida ter passado por nós...





(Tradução)
www.catholic.net

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