terça-feira, 7 de março de 2017

EDUCAR, o mais humano e humanizador de todos os esforços

 No mundo em que nos cabe viver, onde nos angustia a crueldade, a barbárie, muitas vezes não muito longe de nós, colhemos uma expressão de quanto pode descer o ser humano e quanto pode fazer das suas capacidades, das suas potencialidades…Surpreende-nos sempre esta cultura destrutiva do século XXI, que o Papa Francisco já classificou como período de “Terceira guerra mundial aos pedaços”… Fixando-nos no desenvolvimento científico e tecnológico, verificamos que nas mãos de alguns ele pode ser elemento de destruição e de morte, mas nas mãos de outros é, sem dúvida, um instrumento privilegiado para conservar, preservar e enriquecer a vida humana.
      É paradoxal que tenhamos alcançado triunfos inigualáveis no campo da ciência, tecnologia, arte, que por vezes desencadeiam uma correria vertiginosa, que nos pode fazer perder o norte fundamental, o objetivo essencial de todo o esforço. Objetivo esse que consideramos primordial para o pleno desenvolvimento da pessoa humana e que deve estar acima de qualquer outro valor social.
      Educar, não é senão edificar a humanidade em cada homem, em cada mulher; educar é, sem sombra de dúvida, o mais humano e humanizador de todos os esforços, de todos os empenhos.
      Nascemos humanos mas isso não basta, temos de chegar a sê-lo! Os outros seres vivos nascem sendo já definitivamente o que são. Mas nós, homens e mulheres, nascemos para a humanidade, para sermos humanos. Mas só o seremos plenamente quando os demais nos contagiarem com a sua própria humanidade, e com a nossa participação.
      Assim, a educação significa um crescimento permanente nessa inefável e prodigiosa aventura compartilhada, sendo necessário que a ação educativa se fundamente na premissa de que o próprio do ser humano não é tanto o mero aprender, mas sim o que fica no final da educação, o que fica na alma e no coração, mesmo depois de esquecermos o que nos disseram. Ficam os rastos indeléveis feitos vida!...
      Educar é converter alguém em pessoa, mas é também a base para edificar uma trajetória pessoal adequada. Etimologicamente, significa acompanhar e extrair. Por isso, educar é cativar com argumentos positivos, entusiasmar com os valores, seduzir com o excelente. Isto significa comunicar conhecimentos e promover atitudes, isto é, informar e formar.
      Educar, não é apenas ensinar a alguém Matemática, Literatura, Arte ou Contabilidade, mas sim prepará-lo para que viva a sua biografia da melhor maneira possível. Apetrechá-lo de regras de urbanidade e convivência, hábitos para não ser sujeito amorfo, anónimo e impessoal…
      A educação é a estrutura do edifício pessoal; a cultura é a decoração, a estética da inteligência. A primeira ensina a nadar para não se ver arrastado pelas marés de todo o tipo que ameaçam o ser humano; a segunda ensina a viver com sabedoria.
      Assim, educação e cultura formam um tecido humano onde se dão influências recíprocas, com fronteiras difusas e limites mal definidos.
      Por tudo isso, a educação não pode entender-se como um mero aprender, mas antes aprender de outros seres humanos, ser ensinados por eles e, em consequência, a verdadeira educação não consiste em ensinar a pensar, – ainda que isso seja importante – mas sim em aprender a pensar sobre aquilo em que se pensa e, nesse momento de reflexão, é inevitável que nos consideremos parte de uma sociedade de outros seres pensantes.
      Na realidade, nada expressa melhor o que somos como povo, como país, como centro educativo, do que a forma como concebemos e realizamos as nossas tarefas educativas: teremos tanto mais êxito quanto mais êxito tenha o esforço educativo nacional; seremos também tanto mais desenvolvidos, quanto mais longe cheguemos no nosso esforço pela educação.
      Mas a fecundidade da vida não se consegue unicamente com o conhecimento, nem com o trabalho realizado através de uma atividade frenética mas, sobretudo, com os frutos do conhecimento impregnados e envolvidos em uma mais ampla cultura do amor.
      Necessitamos de evitar o risco de converter o homem e a mulher em escravos de valores puramente económicos, libertando-os da unilateralidade técnica e ajudando-os a transcender para os âmbitos do conhecimento da verdade: a valorização da beleza, do amor, do bem, da virtude!...

                                                                                                                       Maria Helena Marques

                                                                                                                       Prof.ª Ensino Secundário

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