terça-feira, 7 de março de 2017

A Educação oportuna afasta e previne a violência...

       
      Sabemos que o termo educação é usado muitas vezes em sentido ativo ou dinâmico – como processo – outras vezes em sentido – estático como resultado.
      Pelo que se refere ao primeiro sentido, que é o mais adequado, a educação pode definir-se como a ajuda que uma pessoa (um grupo ou uma instituição) presta a outra (ou a outro grupo) para que se desenvolva e aperfeiçoe nos diversos aspectos -  materiais, espirituais, individuais e sociais – do seu ser, dirigindo-se  assim para o seu fim próprio.
      O termo deriva do latim e-ducare (ir conduzindo de um lugar para outro), ou também e-ducere (extrair). A primeira etimologia sublinha o progresso produzido pela educação; a segunda põe em relevo que os resultados alcançados se obtêm desenvolvendo as virtualidades contidas na interioridade do sujeito.
      O alarme social anda por aí. A expressão “ violência” é a mais repetida em todos os meios de comunicação social desde há muitos meses: violência na família (ou no agrupamento de pessoas a quem tem sido atribuída essa denominação), violência nas ruas, violência nas aulas. Agressões de pais a filhos, de filhos aos pais, entre pessoas da mesma idade, de grupos de jovens contra as lojas de ourivesaria, perfumarias, habitações, etc., de “bandos” organizados que demonstram que ninguém pode sentir-se seguro na sua própria casa...
      A escola não tem podido escapar a esta tremenda balbúrdia e, conforme as informações de determinado sindicato de professores de escolas públicas, um de cada quatro professores tem vindo a sofrer agressões físicas e psicológicas por parte dos seus alunos ou dos pais de alguns deles.
       O que é que está a acontecer? Abriu-se a caixa de Pandora e estão a saltar todos os impulsos perniciosos do ser humano? Recusamos envolver-nos nesse clima aterrorizador que se apoderou desta sociedade apegada ao consumismo como cartão de identidade, mas não podemos vendar os olhos evitando olhar a realidade. E a realidade diária é dura e persistente: uma e outra vez repete “violência”, “violência”. Acusamo-nos uns aos outros e procuram-se fórmulas para “curar” em vez de se pensar em “prevenir”, analisando com toda a honestidade quais são as fontes deste fenómeno.
      Levantam-se muitas vozes justificando que isto acontece também noutros países da União Europeia e do mundo, que estamos a caminho de avançar economicamente e que o bem-estar ilude os valores tradicionais porque não são sintoma de progressismo...
      Valores?! Talvez seja esta a chave.
      À escola pede-se-lhe que resolva todos os problemas que surgem e são molestos (drogas, educação vial, alcoolismo, sexualidade, violência contra as mulheres, etc.) e, esquece-se que um centro educativo tem a missão de dar formação integral aos seus alunos complementando a educação que é direito e dever da família.
       E a família educa? Ensina boas maneiras e fomenta a educação dos sentimentos, do coração? Não é ela que, em muitas circunstâncias, consente a má educação, os gestos desabridos e as palavras depreciativas de seus filhos?
      A sociedade mudará quando todos descobrirmos que o caminho para a violência se inicia com a primeira falta de educação desculpada e admitida. E quando os pais consciencializarem que jamais se poderão demitir da sua autoridade e responsabilidade na nobre e urgente tarefa que lhes cabe como primeiros educadores dos seus filhos... e os principais responsáveis pela sua educação.

                                                                           Maria Helena Marques

                                                                                                                          Prof.ª Ensino Secundário

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