terça-feira, 7 de março de 2017

Aprender, refletindo e comunicando - I

  O processo de aprendizagem em qualquer fase da vida, pode ser definido, de forma sintética, como o modo de os seres adquirirem novos conhecimentos, desenvolverem competências e mudarem o comportamento. Assim, diz-se que há aprendizagem quando o comportamento sofre modificações aumentativas de caráter, mais ou menos permanentes, em resultado de uma atividade, de um adestramento particular ou de uma observação. De uma forma mais geral, aprender é adquirir conhecimentos sobre a base de representações repetidas.

      A aprendizagem não é um tipo específico de atividade. É uma mudança que ocorre no organismo, em consequência de diversos tipos de atividades, mostrando-se, mais tarde, como um pós-efeito destas: uma atividade posterior é diferente por causa de uma atividade anterior. Por isso, são tão numerosas as variedades da aprendizagem humana, como o são as diferentes experiências que o homem passa ao longo da vida. Não é, pois, um processo próprio da infância e da juventude.
      A aprendizagem constitui um dos terrenos mais frutíferos e ativos da experimentação psicológica que se justifica pela grande importância que tem em todas as formas e variedades da educação.

      Aprendizagem intelectual

      Ainda que cada passo de aprendizagem apresente um problema a resolver, é indubitável que, adquirir conhecimentos, é uma atividade de um nível psicológico mais elevado que o necessário para aprender habilidades sensório – motoras. Na aprendizagem intelectual, a consecução da meta tem de se realizar através de atividades específicas superiores: raciocínio, observação das relações, apreensão das ideias e generalização.
      Neste tipo de aprendizagem o papel da inteligência é fundamental: organiza e estrutura o material que deve ser apreendido. Este, salvo raras exceções, possui forma e significado; por isso, o principal valor educativo consiste em conseguir este significado. Pode dizer-se que quem aprende de forma lógica vai captando gradualmente o significado do material e, ao mesmo tempo, vai-o organizando e relacionando com outros conhecimentos que já tinha; quem o faz de uma forma mecânica é aquela pessoa que, sendo suficientemente inteligente para compreender o significado, não está devidamente interessada em lhe dedicar os seus esforços. Também aprende, mecanicamente, aquele a quem o material não suscita uma ressonância significativa na personalidade. A aprendizagem mecânica ocorre a cargo da memória.
      Uma importante função da escola e da orientação escolar, é ensinar a estudar, a fim de que os alunos apliquem os princípios de estudo eficaz, e saibam realizar uma aprendizagem lógica, mais que memorística pois, desde o ponto de vista da retenção do aprendido, o primeiro tem grandes vantagens sobre o segundo.
      A aprendizagem é o processo de alteração de conduta de um indivíduo, por condicionamento operante, experiência ou ambos, de uma forma razoavelmente permanente. As informações podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou até pela simples aquisição de hábitos. O ato ou vontade de aprender é uma característica essencial do psiquismo humano, pois somente este possui o caráter intencional, ou a intenção de aprender; dinâmico, por estar sempre em mutação procurando informações para a aprendizagem; criador, por procurar novos métodos visando melhorar a própria aprendizagem, por exemplo, pela tentativa e erro. Um outro conceito de aprendizagem é uma mudança relativamente durável do comportamento, de uma forma mais ou menos sistemática, adquirida pela experiência, pela observação e pela prática motivada. Não há dúvida de que a motivação tem um papel primordial na aprendizagem. Ninguém aprende se não estiver motivado, se não desejar aprender…
Maria Helena Marques
Prof. Ens. Secundário
                                                                                         

"Vontade": força, poder, liberdade... senhorio!

      O processo de humanização do ser humano, consiste no desenvolvimento de um reto comportamento, que respeite e cumpra os deveres específicos da natureza humana. Esta humanização não se alcança sem auto exigência, sem esforço pessoal, sem a educação da vontade.

      A educação é uma perfeição que se adquire através do desenvolvimento adequado das faculdades especificamente humanas: memória, inteligência, vontade, afetividade. Mas toda a educação se faz através da vontade, na medida em que comanda toda a vida psíquica. A bondade e utilidade das outras faculdades e capacidades dependerá do modo como sejam utilizadas pela vontade.
      O problema crucial da educação é a educação da vontade.
      Vontade que deve ser educada sempre, em todas as épocas e em todas as pessoas. Na sociedade atual – sociedade de um modo geral permissiva – não se valoriza a vontade e, por isso, não se educa.
      Esta omissão educativa tem consequências evidentes na conduta das crianças e dos jovens. Muitos deles são pessoas de vontade débil, com as seguintes manifestações:
·         Incapacidade para tomar decisões pessoais (indecisão e dúvidas permanentes);
·         Incapacidade para atuar;
·         Incapacidade para continuar a tarefa iniciada.
      Essa falta de vontade conduz à fuga dos problemas habituais que surgem em qualquer vida, para se refugiarem em múltiplas formas de evasão:
·         Música estridente
·         Velocidade
·         Álcool
·         Droga, etc.
       Não dispõem de condições para enfrentar problemas, para conceber e elaborar projetos e aceitar compromissos. Vivem o momento presente e evitam tudo o que lhes pode complicar a vida. A aspiração máxima é a de uma “vida tranquila”. Mas por experiência todos constatamos que a vida sem problemas ou não existe ou não é vida.
      A ausência da educação da vontade tem vindo a originar atualmente diversas alterações e doenças da vontade, como por exemplo: a abulia, apatia, dispersão; a astenia (cansaço anterior ao esforço); a ansiedade, a conduta em função do capricho...
      Tudo isto tem repercussões imediatas e a médio e longo prazo.
      Em primeiro lugar, são jovens que sempre argumentam desculpas. Manifestam um relaxamento generalizado no esforço para aprender.
      As causas desse relaxamento residem, em grande parte, na menor exigência dos pais, associada à influência da televisão, que oferece uma informação passiva em que tudo é fácil... Parece que tudo “vem dado” pelos vídeo-jogos, Internet, etc.
      Os meios de comunicação social desempenham um papel negativo; há programas medíocres que criam nos jovens falsas expetativas de conseguir, sem esforço, uns objetivos ambiciosos. Eles, sem dúvida, comprovam que na vida real há que trabalhar muito para atingir as metas, e que nem sempre irão conseguir o que desejam.

      O esforço aprende-se, ensina-se e valoriza-se

      É necessário exigir desde muito cedo a colaboração e a prática da superação. Associar o esforço com a recompensa. Temos de educar para o esforço coletivo começando pelo nosso.
      Somos modelos de aprendizagem, devemos ter muito em conta os nossos comportamentos, ensinar com o exemplo; se lhes chamamos a atenção por algo, deveríamos pensar se nós faremos o mesmo; se damos instruções pensar se não poderiam ir acompanhadas de demonstrações práticas.
      Dar exemplo, sim! E educar no esforço diário, no crescente fortalecimento da vontade no que se refere ao aspeto afetivo, intelectual, desportivo, cultural, psicológico ou espiritual.
      Há que aumentar o nível de exigência pedindo-lhes autonomia e responsabilidade.
      No concernente à escola é necessário estabelecer metas, inocular o prazer de aprender, tornar o currículo atrativo, o poder saber mais, o entender as coisas, o poder explicá-las...
A valorização dos pais é essencial. É um erro dos adultos manifestar que o seu trabalho é mais meritório, intenso e esgotante que o dos adolescentes. Apreciemos o seu esforço, o seu progresso. Pensemos que o rendimento académico é importante, embora não seja a balança que calibra o valor global dos jovens.
      A prática desportiva é um hábito magnífico para desenvolver o esforço e a constância. Mas cabe aos pais e outros educadores a importante missão do desenvolvimento da vontade das crianças e jovens no sentido do dever. Quando isto não foi feito, é urgente induzir esses valores, privando-os de algumas comodidades e benefícios. E sendo intolerantes com a preguiça.
      Não se pode solucionar tudo aos filhos, mas sim proporcionar que se esforcem para que aprendam a resolver as suas dificuldades.
      Deve rechaçar-se a enganosa e simplista mensagem de que o êxito se consegue pela “sorte” e desmistificar o seu conteúdo.
      Para conseguir o êxito, é necessário acreditar em si próprio, aplaudindo o valor do esforço e da superação.

                                                                                                             Maria Helena Marques

                                                                                                                                              Prof.ª Ensino Secundário

A força do medo

      O medo é uma força de motivação condicionante em qualquer situação, em qualquer vida. Tem-se medo dos que são diferentes; do fracasso e da rejeição. Por medo de sofrer, excluímos da vida social todos aqueles que são diferentes de nós desperdiçando a oportunidade de ouvir o apelo do necessitado e de transformar o mundo num lugar melhor…

      O medo à Vida
      Ao inaugurar o seu pontificado, o Papa João Paulo II pôs em destaque algo que o homem moderno traz muito metido no seu pensamento: o medo. “Não tenhais medo!”, dizia o Papa, dirigindo-se ao mundo inteiro.
       Tem-se medo. Mas, tal como noutros tempos se temia a natureza ou a morte, o que hoje em dia mais atemoriza muitos, é a vida: a vida em potência, em gérmen (que medo de gerar!), a vida já concebida (outra gravidez, que horror!), a vida de sofrimento (“ porque é que Deus, sendo tão bom, não evita que haja deficientes, doentes, etc.), a vida que entra em decadência (os idosos? Que maçada! Para o lar!”).
       Esta atitude radica em dois princípios:
a)      A aversão, mais ou menos explícita, a tudo quanto não seja agradável, prazenteiro, confortável. Consideram-se escandalosos a dor e o sofrimento. Um sintoma: uma das realidades mais difíceis de fazer compreender aos adolescentes de hoje é a noção de sacrifício pessoal e luta contra o egoísmo.
b)      A noção errada que o homem contemporâneo tem de liberdade. Para muitos, liberdade é sinónimo de satisfação de instintos e caprichos; de ausência de obstáculos a vencer; de direito a suprimir o que incomoda. Um médico contava a propósito disto que foi consultado por uma senhora jovem que lhe pediu que “interrompesse a sua gravidez” (estava grávida de poucos meses). Quando o médico lhe perguntou a razão de tal pedido, ela respondeu: “é que vai perturbar o meu veraneio e o do meu marido”.
      A combinação destes dois princípios tem como resultante uma espécie de lei instintiva, inconsciente, não escrita, que os mais cínicos poderiam enunciar do seguinte modo: Cada um tem direito absoluto e inviolável à sua própria felicidade individual, segundo o seu ponto de vista, sem referência a qualquer norma exterior ao indivíduo e com a possibilidade de eliminar tudo quanto possa ser obstáculo a essa felicidade.
      Como consequência de semelhante atitude em cada indivíduo, a sociedade, formada por tantos egoísmos paralelos, torna-se cada vez mais permissiva e, ao mesmo tempo, mais conflituosa e violenta. É inevitável que a felicidade de uma pessoa, assim entendida, tarde ou cedo choque com a de outros. A tensão subsequente resolver-se-á de modo violento, sempre à custa dos mais débeis, dos mais desamparados, dos que nem sequer estão sindicalizados nem têm um grupo de pressão que os defenda: as crianças no ventre das mães, os deficientes, os inválidos, os idosos... Assim se desencadeia uma verdadeira “maré negra de morte”, cujos efeitos são incalculáveis. Como dar conta dos milhões de seres humanos assassinados pelo aborto?
      Há uma lógica espantosa nesta “obra de morte”, consequência do medo que alguns têm à vida: depois de eliminarem Deus ou de O porem de parte nas suas vidas, passam ao homem. Não estranha que esses autores não parem enquanto não o destruírem, sobretudo os seres que Deus prefere: os desvalidos, os pequenos , os “inúteis”…
      O primordial direito dos direitos humanos, é o direito à vida. Por isso, toda a cooperação na transmissão e promoção da vida humana, em todos os seus estádios, é uma tarefa que nobilita o homem.

      O medo à vida na legislação civil positiva
      Não deixa de ser surpreendentemente aberrante que os mesmos grupos de pressão que organizam campanhas contra a pena de morte e as guerras, se pronunciem depois a favor do aborto e da eutanásia!
      Onde estamos e para onde nos dirigimos?!
      O dever da lei positiva é colaborar na reforma da sociedade, melhorando as condições de vida de todos, começando pelos mais necessitados. E garantir que sempre e em toda a parte se acolha digna e favoravelmente uma nova vida. Que se ajudem as famílias e cada mãe – qualquer que seja o seu estado – a trazer ao mundo os seus filhos já concebidos e a educá-los. “ A família ocupa o próprio centro do bem comum nas suas várias dimensões, precisamente porque nela é concebido e nasce o homem. É necessário fazer o possível para que, desde o primeiro momento da sua conceção até ao derradeiro momento da sua morte natural, este ser humano seja querido, esperado, vivido como valor particular e irrepetível. Deve sentir-se importante, útil, amado, valorizado; inclusive, se está inválido, doente em fase terminal ou é deficiente; mais amado ainda precisamente por isso...” (S. João Paulo II)

                                                                                                                                   Maria Helena Marques

                                                                                                                                   Prof.ª Ensino Secundário