quarta-feira, 13 de maio de 2015

Papa Francisco explica o que significa ser santo

"Antes de tudo, devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nos propomos sozinhos, que nós obtemos com as nossas qualidades e capacidades. A santidade é um dom, é a dádiva que o Senhor Jesus nos oferece, quando nos toma consigo e nos reveste de Si mesmo, tornando-nos como Ele é. Na Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que «Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar» (Ef 5, 25-26). Eis que, verdadeiramente, a santidade é o rosto mais bonito da Igreja, o aspecto mais belo: é redescobrir-se em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Então, compreende-se que a santidade não é uma prerrogativa só de alguns: é um dom oferecido a todos, sem excluir ninguém, e por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão.
Tudo isto nos leva a compreender que, para ser santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só está reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! A santidade é algo maior, mais profundo, que Deus nos dá. Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. agrada? Sê santo vivendo com alegria a tua entrega e o teu ministério. És casado? Sê santo amando e cuidando do teu marido, da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És baptizado solteiro? Sê santo cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho e oferecendo o teu tempo ao serviço dos irmãos. «Mas padre, trabalho numa fábrica; trabalho como contabilista, sempre com os números, ali não se pode ser santo...». «Sim, pode! Podes ser santo lá onde trabalhas. É Deus quem te concede a graça de ser santo, comunicando-se a ti!». Sempre, em cada lugar, é possível ser santo, abrir-se a esta graça que age dentro de nós e nos leva à santidade. És pai, avô? Sê santo, ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é necessária tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó; é necessária tanta paciência, e é nesta paciência que chega a santidade: exercendo a paciência! És catequista, educador, voluntário? Sê santo tornando-te sinal visível do amor de Deus e da sua presença ao nosso lado. Eis: cada condição de vida leva à santidade, sempre! Em casa, na rua, no trabalho, na igreja, naquele momento e na tua condição de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimeis de percorrer esta senda. É precisamente Deus quem nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que permaneçamos em comunhão com Ele e ao serviço dos irmãos.

Nesta altura, cada um de nós pode fazer um breve exame de consciência, podemos fazê-lo agora, e cada qual responda dentro de si mesmo, em silêncio: como respondemos até agora ao apelo do Senhor à santidade? Desejo ser um pouco melhor, mais cristão, mais cristã? Este é o caminho da santidade. Quando o Senhor nos convida a ser santos, não nos chama para algo pesado, triste... Ao contrário! É o convite a compartilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com júbilo cada momento da nossa vida, levando-o a tornar-se ao mesmo tempo um dom de amor pelas pessoas que estão ao nosso lado. Se entendermos isto, tudo mudará, adquirindo um significado novo, bonito, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia (...)"

10 frases do Papa Francisco acerca da Família

Transcrevemos, a seguir, algumas frases do Papa que expressam o seu pensamento.
1. “Entre todas as coisas aquilo que mais pesa é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser recebido. Pesam certos silêncios. Por vezes, também em família, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, o esforço torna-se mais pesado, intolerável". Encontro de Famílias em Roma em outubro del2013.
2. “Há três palavras mágicas: “Pedir licença" para não ser invasivo na vida do cônjuge. “Obrigado", agradecer o que o outro fez por mim, a beleza de dizer “obrigado". E a outra, “desculpa", que às vezes é mais difícil, mas é necessário dizê-la". Audiência Geral na Praça de São Pedro, quarta-feira, 2 de abril.
3. “No vosso caminho familiar, vocês partilham tantos momentos inolvidáveis. No entanto, se falta o amor, falta a alegria e o amor autêntico dá-no-lo Jesus". Carta de 2 de fevereiro do Papa às famílias.
4. “O segredo é que o amor é mais forte do que o momento em que se discute e, por isso, aconselho aos esposos: não acabem o dia em que discutiram sem fazer as pazes, sempre". Audiência Geral na Praça de São Pedro, quarta-feira, 2 de abril.
5. “O verdadeiro vínculo é sempre com o Senhor. Todas as famílias têm necessidade de Deus: todas, todas! Necessidade da Sua ajuda, da Sua força, da Sua bênção, da Sua misericórdia, do Seu perdão. E requer-se simplicidade. Para rezar em família requer-se simplicidade! Quando a família reza unida o vínculo torna-se mais forte". Homilia da Missa do Encontro de Famílias, que se realizou em Roma em outubro de 2013.
6. “Se o amor é uma relação, constrói-se como uma casa. Não a queiram construir sobre a areia dos sentimentos que vão e vêem, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce deste projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa: que seja lugar de afeto, de ajuda, de esperança". Palavras aos noivos que se reuniram na Praça de São Pedro no dia de São Valentim.
7. “Hoje, a família é desprezada, é maltratada, e o que se nos pede é reconhecer o belo, o autêntico e o bom que é formar uma família, ser família hoje; o indispensável que isto é para a vida do mundo, para o futuro da humanidade". Palavras dirigidas aos Bispos no dia 20 de fevereiro, num encontro que tratava o tema da família.
8. “O matrimónio é uma longa viajem que dura toda a vida, e necessitam da ajuda de Jesus para caminhar juntos, com confiança, para se acolherem, um ao outro todos os dias, e perdoarem-se todos os dias; e isto é importante nas famílias, saberem perdoar-se. Porque todos nós temos defeitos. Todos!". Encontro de Famílias em Roma em outubro de 2013.
9. “Quando nos preocupamos com as nossas famílias e as suas necessidades, quando entendemos os seus problemas e esperanças, (…) quando se apoia a família, os esforços repercutem-se não só em benefício da Igreja; ajudam também a sociedade inteira". Discurso dirigido aos Bispos do Sri Lanka, no dia de maio de 2014.
10. “A verdadeira alegria vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos experimentam no seu coração e que nos faz sentir a beleza de estar juntos, de apoiar-se mutuamente no caminho da vida". Missa de encerramento do Encontro de Famílias, em Roma.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

"Os Mártires" do nosso tempo!...

 
      Entre dados estatísticos recentes, encontramos o alarmante número de cristãos assassinados pelo mundo. 45 Milhões foram mortos só no século 20 sob as grandes revoluções e regimes totalitários. Atualmente, cerca de 160 mil cristãos foram martirizados só no início deste milénio, o que, segundo o investigador britânico Dr. David Barret, corresponde a 1 cristão assassinado em cada 5 minutos.
      Assim, na segunda década do século 21, já são milhares os cristãos martirizados em países como Coreia do Norte, Irão, Sudão, Paquistão, Afeganistão, entre outros. Um caso típico desta perseguição acontece no Iraque onde radicais islâmicos destroem igrejas e matam cristãos.
    Mas um jornalista islâmico, convertido ao Catolicismo e baptizado em 2008 pelo Papa Bento XVI, tem vindo a pedir respeito pela liberdade religiosa…
     
       Liberdade que é um direito fundamental da pessoa humana, ínsito na sua dignidade, pois o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus.
      A Igreja Católica defendeu, desde sempre, o direito à liberdade de consciência, de culto e de escolha da própria religião. O documento conciliar “Dignitatis Humanae”, além de outros, expressa bem essa posição.
      Numa nota da Congregação para a Doutrina da Fé, recorda-se que a evangelização não está ultrapassada, mas sim que mantém o que é essencial da fé cristã, como há dois mil anos, na sua plena atualidade. A nota sublinha também que o Evangelho mostra como é Cristo quem chama todos os homens à conversão e à Fé, e quem confiou à Igreja a missão de chegar a todas as pessoas de todas épocas. Todos têm direito de ouvir a “boa nova”; e compete aos cristãos o dever de evangelizar, que significa não apenas “ensinar uma doutrina”, mas também dar a conhecer Jesus Cristo com a palavra e com as obras. “A palavra e o testemunho vão em uníssono”, afirma-se mais adiante.
      A conversão exige a fé; esta por sua vez, exige a adesão ao Evangelho: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).
      Mas para seguir a conversão, é preciso deixar o que não é compatível com a Fé e com os planos de Deus, e abraçar essa vida nova que Ele chama um “tesouro” ou uma “pérola” (cf. Mt 13, 44-46). Pensemos por exemplo, no amor à verdade, na prática da humildade, na caridade que se deve ter para com o próximo... Tudo isso é a “pérola” que encontramos no ensinamento de Cristo.
      O jornalista, Magdi Allam, reconhece que foi decisivo para a sua conversão, o exemplo de Bento XVI.
      Assim, no dia 22 de Março de 2008, durante a Vigília da noite de Páscoa, cinco mulheres e dois homens de diferentes países, entre eles o famoso jornalista de origem egípcia Magdi Allam, convertido do Islão, foram baptizados pelo Papa, Bento XVI.
      Na sua Homilia, o Papa dirigindo-se a todo o baptizado, disse: “Sempre de novo nos devemos tornar `convertidos`, com toda a vida voltada para o Senhor. E sempre de novo devemos deixar que o nosso coração seja subtraído à força da gravidade, que puxa para baixo, e levantá-lo interiormente para o alto: para a verdade e o amor”.
      Magdi Allam, subdirector do “Il Corriere della Sera”, jornal de maior tiragem na Itália, de 63 anos, que vive no país há vários anos, recebe proteção policial pelas ameaças recebidas em decorrência das suas críticas ao islamismo radical violento.
      Explicando os motivos que levaram o Papa a administrar o baptismo ao jornalista, o Pe. Federico Lombardi esclareceu que “para a Igreja católica toda a pessoa que recebe o Baptismo, após uma profunda busca pessoal, uma decisão plenamente livre e uma adequada preparação, tem o direito de recebê-lo”.
      O porta-voz do Vaticano acrescentou que o Santo Padre administrou o Baptismo no decorrer da Liturgia Pascal aos catecúmenos que lhe foram apresentados, sem fazer `acepção de pessoas`, ou seja, considerando a todos igualmente importantes diante do amor de Deus e bem-vindos à comunidade da Igreja.
      Numa carta escrita no “Il Corriere della Sera”, Allam, que como baptizado recebeu o nome de “Cristiano”, explica que na sua conversão desempenharam um papel decisivo os testemunhos de católicos que pouco a pouco se converteram em pontos de referência no âmbito da certeza da verdade e da solidez dos valores.
      Mas reconhece que, talvez, o papel mais importante tenha sido desempenhado por Bento XVI, “a quem admirou e defendeu como muçulmano pela sua mestria para criar o laço indissolúvel entre fé e razão, como fundamento da autêntica religião e da civilização humana, ao qual aderiu plenamente como cristão para “inspirar-me com nova luz no cumprimento da missão que Deus me reservou”.
      “Para mim é o dia mais belo da minha vida”, reconhece. “O milagre da Ressurreição de Cristo refletiu-se na minha alma, libertando-a das trevas de um discurso religioso em que o ódio e a intolerância em relação ao diferente, condenado acriticamente como inimigo, prevalecem sobre o amor e o respeito ao próximo que é sempre e, em qualquer circunstância, pessoa”.
      Ao terminar, Cristiano Allam voltou a pedir um respeito recíproco no que se refere à liberdade religiosa…
      Entretanto, todos nós vamos acompanhando os sucessivos apelos do Papa Francisco, para que a comunidade internacional desperte para a gravíssima situação dos cristãos perseguidos em vários países do mundo – o cristianismo é hoje a religião mais perseguida em termos globais -,  como continua a acontecer no Próximo Oriente e ainda recentemente aconteceu no Quénia, citando apenas duas de várias situações flagrantes…
      No Domingo de Páscoa, o Papa Francisco defendeu que a comunidade internacional deve denunciar e atuar perante os crimes de que são vítimas os cristãos em todo o mundo.
      “Desejo que a comunidade internacional não assista muda e inerte a tais crimes inaceitáveis, que constituem uma deriva preocupante dos direitos humanos mais elementares”, declarou o Papa Francisco perante milhares de pessoas reunidas na praça de S. Pedro, em Roma.
      O Santo Padre, Francisco, pediu orações, mas também uma “participação concreta” e gestos de ajuda “palpável na defesa e proteção dos irmãos e irmãs perseguidos, exilados, assassinados, decapitados, unicamente por serem cristãos”!...
 
                                                                                                            Maria Helena Marques
                                                                                                                                 Prof.ª Ensino Secundário