sábado, 29 de novembro de 2014

Procurar de novo, o "Tesouro da Educação"

          Tesouro estruturado em vários pilares, cujos conceitos fundamentam a educação do século XXI, uma educação direcionada para uma educação integral, que visa os diversos tipos de aprendizagem.
       Aprender a conhecer, através da aquisição dos instrumentos de conhecimento. Instrumentos imprescindíveis a uma aprendizagem assente em raciocínios lógicos, na compreensão, dedução e memória, ou seja, sobre os processos cognitivos por excelência. O ideal deverá ser o de encarar a educação, não apenas como um meio para um fim, mas também como um fim em si mesmo. Uma finalidade que desperta a sede de desenvolver o pensamento dedutivo e intuitivo, permitindo – lhe chegar às suas próprias conclusões e a aventurar-se por outros domínios do saber e do desconhecido.
      Se o aprender a conhecer nos confere as bases teóricas das questões, o aprender a fazer apetrecha-nos com a formação técnico – profissional indispensável para que possamos transformar as teorias em realidades práticas. Assim sendo, aprender a conhecer e a realizar é importante, mas não o é menos o saber comunicar. Não apenas para reter e transmitir informação, mas também para interpretar e selecionar as torrentes de informação, muitas vezes contraditórias, com que somos bombardeados diariamente.
      A convivência com os outros é um domínio de excelente aprendizagem que consiste num dos maiores desafios para os educadores, uma vez que atua no campo das atitudes e valores. Cabe neste campo o combate ao conflito, ao preconceito, às rivalidades tradicionais. Trata-se de apostar numa educação como veículo de paz, respeito mútuo e sociabilidade…
      No aprender a ser, situa-se uma aprendizagem derivada dos outros tipos, que tem como objetivo o desenvolvimento integral da pessoa, espírito e corpo, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade.
      Aprender a ser, como e onde?
       Não existem receitas mágicas, mas salientamos três âmbitos fundamentais em que se desenrola a ação educativa, com a pretensão de vislumbrar algumas chaves da educação do caráter moral que, não o esqueçamos, é o objetivo mais importante da ação educativa.
      O âmbito primordial por excelência, é a Família. A intensa componente afetiva da relação familiar estrutura, com uma força irrepetível, e normalmente desde o seu nascimento, o caráter de uma pessoa. O que se aprende no lar marca, se não de forma absoluta, marca de forma indelével, a personalidade.
      No que se refere ao papel da família na formação do caráter das crianças e jovens, deparamos na atualidade com dificuldades acrescidas resultantes da desestruturação da família à mercê sobretudo da `praga` do divórcio e do fenómeno dos lares mono – parentais em crescimento abrupto nos últimos anos.
      Por outro lado, o trabalho profissional da mulher e o aumento das horas de trabalho, faz com que os filhos desfrutem cada vez menos da companhia e do afeto de seus pais. O que significa, sem dúvida, que os pais perdem também muitas oportunidades de ir formando o caráter de seus filhos…
      Desde o ponto de vista social, impõe-se o esforço geral no sentido de fortalecer a família e de facilitar aos pais a conciliação do trabalho com a sua vida familiar. Não podem demitir-se das suas funções de primeiros educadores dos seus filhos. De inculcar-lhes hábitos de ordem, de esforço e trabalho para conseguirem as coisas que pretendem, de domínio das suas apetências… Um âmbito que neste momento histórico goza de uma grande relevância educativa, são os produtos da indústria do entretenimento, veiculados e difundidos, sobretudo, pelos meios de comunicação social. Produtos a que se tem dado pouca importância no que se refere ao caráter educativo das histórias, das narrativas que incidem na imaginação, emoções e afetos dos meninos e dos jovens! O que, em qualquer caso, não se pode perder de vista é que a educação do caráter moral é um objetivo educativo irrenunciável que requer, com sentido de urgência a cooperação dos Pais, em primeiro lugar, da Escola e dos grandes Promotores da ficção…
                                                                                                                       Maria Helena Marques

                                                                                                                       Prof.ª Ensino Secundário

A Família, bem precioso

        Depois de uma enorme expetativa em relação à 3.ª assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família que aconteceu no Vaticano de 5 a 19 de Outubro, muitos esperavam que desta assembleia saíssem soluções para os vários tipos de problemas que atualmente envolvem o casamento e a família. Diante de todo o alarido de diversos meios de comunicação social permanecia, subjacente, a grande questão: Será que depois do Sínodo, casamento e família ainda se manterão os mesmos?
      O que deveria mudar? Que, por exemplo, o casamento deixe de ser entre duas pessoas de sexos diferentes? Que o homem de modo irracional, possa ir com as mulheres que lhe passem pela cabeça, sem compromisso com qualquer delas, sem responsabilidade pessoal e social sobre qualquer dos atos praticados? Que de igual modo a mulher faça o mesmo? Que a promiscuidade seja erigida em ideal de convívio entre uns e outros? Que os casais deixem de procriar? Que os filhos sejam gerados em laboratórios e entregues à responsabilidade do Estado, sem contacto com os pais?
      Deveríamos resignar-nos e concordar com aqueles que dizem que a família acabou e faz parte de um tempo que já lá vai? Quem olha pelas crianças, os idosos, as pessoas com deficiência? O Estado ou a sociedade deveriam assumir inteiramente o papel da família? As relações de parentesco deveriam ser ignoradas? O sonho dos jovens enamorados que querem ter família, seria apenas ilusão romântica? Deveria a Igreja mudar o seu pensamento em relação à família?
      O excesso das perguntas é propositado, para ajudar a ver que as coisas essenciais em relação à família, não poderiam mudar, sem comprometer seriamente a própria existência da comunidade humana.
      As questões relacionadas com a família e o casamento são, ao mesmo tempo, simples e complexas pois dizem respeito aos elementos básicos da existência humana, como a afetividade e o amor, o respeito delicado de pessoa a pessoa, a complementariedade, a vida gerada, acolhida e doada, o sentido de pertença, de aconchego e de intimidade, a confidência, a aceitação da pessoa como ela é, (com virtudes e com defeitos!), a gratuidade e o amor desapegado, o projeto de vida realizado juntos, a confiança, a alegria simples, a esperança…
      Será que isso deveria mudar no casamento e na família?! Ninguém pensará em acabar com isso. Temos a certeza de que os jovens que se enamoram de verdade e querem casar, também pensam assim. E a Igreja quer continuar a contribuir para que isso aconteça na vida dos casais e das famílias.
      Em que consiste o mal-estar, tão frequente, em relação ao casamento e à família?! Tem-se por vezes a impressão de que a família é terra de ninguém, onde qualquer um pode entrar, pegar, arrancar, devastar, levar embora… Ou como um campo devastado, cheio de destroços e com muitos feridos! Pobre família, tão maltratada e desprestigiada…Ao mesmo tempo, tão cobrada para assistir os órfãos de afeto, de referência e proteção; os abandonados pela sociedade dos fortes e eficientes, as vítimas do desmantelamento da própria família, esse primeiro bem, que Deus pensou para as pessoas!
      O papa Francisco, ao abrir o Sínodo, no dia 5 de Outubro, comentou a parábola sobre os “vinhteiros homicidas” (cf  Mt, 21, 33-43),  para dizer que a família é um bem precioso, que Deus confiou  a todos os “administradores” e responsáveis  da sociedade: dela devemos tomar conta, com muito carinho, não deixando que seja devastada por invasores e assaltantes mal intencionados… Que a ajudemos a florescer e frutificar, para o benefício da pessoa, da sociedade política e também da comunidade de fé.
      Será que é a família que tem de mudar, ou são as nossas atitudes em relação à família?... A verdade é que a família vem sendo desconfigurada há muito tempo! Atualmente, parece que se chegou a um ponto crucial, estando em crise a própria identidade da família. Quando se coloca em xeque a diferenciação e a identidade sexual; quando se pretende que casamento seja uma `aberração` entre pessoas do mesmo sexo; quando custa pensar que os filhos também são parte da família; quando o projeto da vida a dois parece ter perdido o interesse; quando a relação afetiva é deixada apenas à precariedade dos sentimentos e oportunidades fugazes: o que é que ainda sobra da família?!
      Impõe-se o recomeçar pelo mais essencial no casamento e na família: o amor sincero e generoso, a confiança nos sentimentos bons, a fidelidade aos propósitos assumidos, a firmeza na edificação do projeto comum, a alegria partilhada, a disciplina da virtude, a fé em Deus… Para o futuro da família, é mesmo isso que vai continuar, uma vez que está na própria base da família. Assim sendo, é esta obra do seu amor que Deus vai continuar a abençoar!
                                                                                       (adaptação) … Maria Helena Marques

                                                                                                                                   Prof.ª Ensino Secundário

terça-feira, 29 de abril de 2014

Recordando João Paulo II!


      Estamos a poucos dias da sua canonização – 27 de Abril, Domingo da Divina Misericórdia – o dia em que a Igreja é chamada a pronunciar-se oficialmente, acerca deste “Servo Bom e Fiel”!

      Um grande acontecimento que agradecemos a Deus, embora para uma grande parte dos cristãos o reconhecimento da sua santidade já vem de muitos anos atrás. Conforme revelava recentemente Bento XVI numa entrevista, “tornou-se para mim cada vez mais claro que João Paulo II era um santo”. “Só a partir da sua relação com Deus é possível perceber o seu incansável empenho pastoral. Deu-se com uma radicalidade que não pode ser explicada de outra forma”, refere o Papa emérito.

      É sabido que Bento XVI, enquanto Cardeal, foi um dos mais diretos colaboradores do Papa Polaco durante mais de duas décadas, enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

      Diz: “Percebi de imediato, o fascínio humano que dele emanava e como rezava; compreendi como estava profundamente em Deus”…

      Recordando que a colaboração com João Paulo II, foi sempre marcada pela “amizade e afeto”, referiu como diante de desafios complexos que teve de enfrentar, a sua arma de eleição era sempre ”a fé cristã “ usada como motor para esse movimento revolucionário – `Teologia da Libertação`, na América Latina, por exemplo – transformando-a assim numa força de tipo político”.

      Bento XVI destaca ainda os desafios levantados pela necessidade de promover uma “correta compreensão” do ecumenismo, do diálogo inter – religioso e da relação entre Igreja e Ciência…

       Referiu também que embora não tivesse intenção de “imitar” o seu predecessor, o Papa emérito procurou “levar por diante a sua missão e a sua herança”.

      Concluiu afirmando estar certo de que ainda hoje a sua bondade o acompanha e a sua bênção o protege.

       João Paulo II foi, sem sombra de dúvida, o instrumento providencial de que Deus se serviu durante o seu longo pontificado para suscitar e reforçar a esperança cristã.

      Deixou – nos, em cada fase da sua vida como Pontífice, uma marca indelével na alma de cada um de nós. A marca da generosidade, da coerência, da fidelidade…

      Na sua atividade pastoral concretizou-se o mandato de confortar na fé os irmãos que Jesus confiou a Pedro, tanto através da sua palavra em Roma, em Fátima ou noutra qualquer parte do mundo, quer através dos seus escritos riquíssimos de conteúdo, densidade e profundidade que concluíam com um sinal de esperança.

      Esperança com que alimentava os encontros com os jovens, com as famílias, com os idosos, com os doentes.

      Via-se que seguia a Cristo de maneira heróica e que continuamente rezava. Pressentia-se absorto como se estivesse em contacto visual com Deus. Mas ato contínuo, estava plenamente com as pessoas tanto em Fátima, como no Parque Eduardo VII com os jovens, em Braga ou em Roma.

      Aceitava as coisas que, de modo evidente, o faziam sofrer com muita humildade…dando-nos uma grande e eloquente lição de vida!

      Em síntese, é justo lembrar que João Paulo II foi o Papa da paz, do ecumenismo, da juventude – falam por si as maravilhosas Jornadas Mundiais!...O Papa dos desportistas, dos cientistas…

      Na Carta aos Jovens de 31 de Março de 1985 dizia-lhes que a Igreja os considerava a “esperança promissora da humanidade”. Em Toronto durante uma vigília de oração alertava-os: “O espírito do mundo oferece muitas miragens, muitas paródias da felicidade. Mas talvez não haja escuridão mais densa do que aquela que se introduz na alma dos jovens quando falsos profetas apagam neles a luz da Fé, da Esperança e do Amor. O maior dos enganos, a maior fonte de infelicidade é a ilusão de querer encontrar a vida prescindindo de Deus, de querer alcançar a felicidade excluindo as verdades morais e a responsabilidade pessoal. Jesus convida-vos a escolher entre essas duas vozes.”

      Em 1995 escreveu uma Carta às mulheres – Mulieres Dignitatem ( “a dignidade da mulher”). Dizia: “A dignidade da mulher foi com demasiada frequência ignorada, e suas prerrogativas tergiversadas, o que conduziu a um empobrecimento espiritual da Humanidade”.

      Soube explicar como ninguém em que consiste o “génio feminino” e recordou-nos que “o respeito pela mulher, o assombro perante o mistério da feminilidade e, enfim, o amor esponsal do próprio Deus, de Cristo, tal como se manifesta na Redenção, são todos elementos da Fé e da vida da Igreja”. Assim, João Paulo II abriu as portas para uma rica e fecunda Teologia da mulher que tem em Nossa Senhora a sua inspiração inigualável.

      É com Ela que aguardamos o feliz acontecimento da canonização, isto é, da confirmação por parte da Igreja, de que o Santo Padre João Paulo II é digno de culto público universal e de ser dado aos fiéis como intercessor e modelo de santidade!

 

                                                 Maria Helena H. Marques
                                                            Prof.ª Ensino Secundário